Às vezes se diz: se há desordem num jardim, é porque não há jardineiro. E portanto: se há desordem no mundo, é porque não há Deus.
É uma objeção simples. Parece sólida. Mas esquece algo essencial: o mundo não é um jardim.
Num jardim, o jardineiro decide tudo. Arranca, planta, poda. A terra obedece, as ervas daninhas se dobram, as flores são belas e silenciosas. É um lugar de obediência — e bonito, à sua maneira. Mas não é um lugar de liberdade.
O mundo, ao contrário, é o lugar da liberdade. E a liberdade causa dano. O homem livre pode crescer torto, fazer a guerra, matar de fome o seu próximo, crucificar Cristo. Fez tudo isso. Ainda o faz.
Por que Deus escolheu isso então? Por que assumir o imenso risco de um mundo entregue a seres livres, em vez de um jardim perfeitamente ordenado? Porque um jardim não pode amar. Uma flor plantada à força não dá livremente seu perfume. E Deus — se o cremos tal como a Bíblia o revela — não queria autômatos. Queria filhos. Criaturas capazes de dizer sim ou não, de escolher ou recusar, de amar ou se afastar.
«Hoje ponho diante de vocês a vida e a prosperidade, a morte e a destruição… Escolham a vida, para que você e seus descendentes vivam.»
Deuteronômio 30:19 (NVI)
A desordem do mundo não é prova da ausência de Deus. É a marca da liberdade que ele nos confiou — com tudo o que permite de terrível, e tudo o que permite de grandioso.
Assim, a pergunta permanece inteira, e nos devolve o olhar: com esta liberdade — você, eu — o que fazemos com ela?