Dizem que somos feitos de 70% de água. Uma proporção surpreendente, quase absurda quando se pensa: nossas grandes emoções, nossos acessos de raiva, nossos momentos de ternura, tudo isso se move através de alguns litros de água.
É claro que em nossa época nos preocupamos muito com a qualidade do que bebemos. Do que comemos. Do que respiramos. «Com um cuidado quase religioso», disse uma vez um publicitário, «devemos escolher a água da qual amanhã seremos feitos.»
E ele tem razão. Mas Jesus nos leva a outro lugar. Suavemente inverte a pergunta. Não nos pergunta primeiro: o que entra em você? mas: o que sai de você?
«Nada que entra numa pessoa de fora pode torná-la impura; o que sai de uma pessoa é o que a torna impura.»
Marcos 7:15 (NVI)
Nossas palavras, nossos silêncios, nossos estados de ânimo, o olhar que pousamos nos outros. Isso é o que diz verdadeiramente quem somos. Isso é o que pode refrescar, ou envenenar, aqueles que vivem ao nosso lado.
A imagem é bela, e é exigente: tornar-se potável. Não tornar-se perfeito — ninguém o é — mas tornar-se alguém de quem os outros possam beber sem medo. Alguém cuja presença sacia a sede. Alguém com quem você pode deixar o seu cansaço sem ser julgado.
Deus não nos purifica para que fiquemos sozinhos com nossa bela água clara. Nos purifica para que fluamos em direção aos outros.
«Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.»
João 7:38 (NVI)
«Rios de água viva», diz Jesus. Não uma poça privada. Um rio que corre para baixo.