Ela me entregou o seu desenho com um grande sorriso. Olhos brilhantes, orgulhosa do que tinha acabado de criar. Peguei a folha nas mãos — e honestamente, olhei. Girei o papel de um lado, depois do outro. Linhas, cores, formas que se cruzavam sem que eu conseguisse entender bem o que era.
Mas ela sabia. Via exatamente o que havia desenhado.
Me perguntei quantas vezes Deus me olha assim — eu girando a minha vida em todos os sentidos, tentando decifrar o que está acontecendo, me esgotando querendo entender antes de aceitar. E Ele que vê, desde o começo, o quadro completo. Que sabe exatamente o que está fazendo.
«"Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos", declara o Senhor. "Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos."»
Isaías 55:8-9 (NVI)
Há algo libertador nessa imagem. Não resignação passiva — mas confiança ativa. Como quando você diz «obrigado, é lindo» a uma criança, não porque tenha entendido tudo, mas porque vê o amor que ela colocou nisso.
Talvez seja isso a fé nos momentos escuros. Não «entendo o que está me acontecendo.» Mas «confio em quem segura o pincel.»