O amor frequentemente começa com uma lista de razões. Porque é divertido. Porque é atencioso. Porque me entende. É belo, é terno — e é a infância do amor.
Paulo sabia disso muito bem. Ele escreve: «Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança» (1 Coríntios 13:11). O amor também tem a sua infância — uma idade em que amamos pelo que o outro nos dá. E como toda criança, está chamado a crescer.
Mas em direção a quê?
«O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus próprios interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.»
1 Coríntios 13:4-8 (NVI)
Paulo pinta o seu retrato com uma precisão que nos deixa expostos. Não é uma lista de qualidades para pendurar na parede. É um ser em movimento, um amor que já não calcula, já não faz contas, mas se orienta completamente para o outro. Um amor que já não pergunta «o que eu ganho com isso?» mas simplesmente sussurra: Te amo porque você é você.
E é exatamente assim que Deus nos ama. Não porque estejamos à altura. Não porque mereçamos. Paulo o diz sem rodeios em sua carta aos Romanos: «Mas Deus demonstra seu amor por nós pelo fato de Cristo ter morrido em nosso favor quando ainda éramos pecadores» (Romanos 5:8). Nenhum «porque» ligado ao nosso mérito. É um amor que sustenta porque vem d'Ele — e «o amor jamais acaba» (1 Coríntios 13:8).
João o expressa com a mesma força: «Nisso se manifestou o amor de Deus entre nós: que Deus enviou seu Filho Unigênito ao mundo para que tivéssemos vida por meio dele» (1 João 4:9). Deus não esperou que fôssemos amáveis para nos amar. Amou primeiro (1 João 4:19).
Mas hoje sejamos honestos: ainda vemos em parte. «Porque agora vemos como em espelho, de forma obscura,» escreve Paulo. «Mas então, veremos face a face» (1 Coríntios 13:12). Os nossos amores são imperfeitos, inacabados, às vezes desajeitados. Mas essa imperfeição não é uma condenação — é um convite. Um convite a deixar que o amor de Deus, que nos conhece plenamente e nos ama mesmo assim, transforme gradualmente como amamos os outros.
Menos condições. Mais presença. Menos «porque». Mais «porque é você».
Pois o amor «tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1 Coríntios 13:7). E no final: «E agora permanecem a fé, a esperança e o amor, esses três; mas o maior deles é o amor» (1 Coríntios 13:13).