9h12. O despertador não tocou — ou tocou, mas ninguém ouviu de verdade. O pequeno se recusa a colocar a calça, o maior passou dez minutos procurando os sapatos, a tigela de cereal virou sobre a mesa. «Vamos chegar atrasados.» Casacos pela metade, cintos afivelados, lá vamos nós. No carro, a paz de Cristo não se respira.
Estacionamos às pressas. Cruzamos a porta da igreja. Agora é preciso ficar em silêncio. Sorrir. Cumprimentar a dona T. — aquela que disse aquela coisa que machucou três meses atrás e da qual ainda não nos recuperamos.
O culto começa. Cantamos. E no fundo, uma voz pequena sussurra: por que estamos fazendo isso, exatamente?
É uma pergunta real. E merece algo melhor do que uma resposta piedosa.
O domingo não é um mandamento. É uma resposta. A resposta de um povo que viu seu Senhor vivo e que não pode mais considerar esse dia como um dia ordinário — mesmo quando a tigela de cereal virou sobre a mesa.
«Não deixemos de nos reunir, como é costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros — e tanto mais quanto vocês veem o Dia se aproximar.»
Hebreus 10:25 (NVI)
O autor não escreve para cristãos em plena forma. Escreve para os cansados, os desanimados, os tentados a passar despercebidos. E lhes diz: não. Reunir-se não é uma opção para crentes com energia; é oxigênio para crentes em provação.
A família que chega sem fôlego às 10h32, com o mais velho de mau humor e a menor chorando por sua boneca esquecida — essa família é a Igreja. Não uma versão degradada tolerada enquanto se espera por algo melhor. A Igreja real. Aquela pela qual Cristo morreu.
O que Deus busca no domingo de manhã não é a nossa versão polida. É a nossa versão real. E é essa versão que a graça vem encontrar.
Então neste domingo, venham. Venham mesmo que estejam cansados. Venham especialmente se estiverem cansados. Venham com seu carro cheio demais e seu coração carregado demais. Venham porque outros os esperam — e porque, talvez sem saber, sentem a sua falta. Onde dois ou três estão reunidos em seu nome, ele está no meio deles. Mesmo hoje, entre as famílias sem fôlego do oitavo banco.