Vivemos rodeados de senhas. Telefone, banco, e-mail, redes sociais. Combinações que mal conseguimos lembrar, que mudamos a cada três meses, que esquecemos. Palavras que abrem ou fecham, que provam que somos quem dizemos ser.
Existe uma senha que a humanidade partilha há três mil anos. Uma única palavra, pronunciada quase de forma idêntica em Seul, Lagos, Belfort, Rio. Uma palavra que nunca foi traduzida, porque já diz tudo:
Amém.
Uma palavra que significa «é sólido»
AMÉM também significa ser firme, confiável, sustentar, manter-se. Quando as pessoas diziam «amém» nos tempos antigos, não diziam «fim da oração». Diziam: isso é verdade, isso é sólido, eu me apoio nisso, eu fico com isso.
Uma senha, no fundo, também é isso: uma prova de confiabilidade. Sou realmente quem afirmo ser.
Mas esta senha não é nossa
Eis o que sempre me surpreende. Pensamos que «amém» é nossa palavra, nossa assinatura ao final das orações. Mas a Escritura inverte isso. O primeiro a carregar esse nome é o próprio Deus.
Isaías o chama de «o Deus do amém» (Isaías 65:16). E no Apocalipse, Jesus se apresenta assim: «Assim diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira» (Apocalipse 3:14).
Cristo é o Amém. A senha é ele.
Paulo diz de outra forma, e é surpreendente: «Porque todas as promessas de Deus são sim nele; e por isso também por ele se diz o Amém a Deus, para glória nossa» (2 Coríntios 1:20). Nosso amém nunca é uma palavra que inventamos. É uma palavra que nos é dada. Recebemo-la dele para devolvê-la a ele.
A palavra que faz passar
Nas línguas antigas, uma senha era o que se pronunciava para atravessar uma porta, cruzar uma linha, entrar em um lugar protegido. Amém é exatamente isso.
É a palavra que faz a oração chegar ao Pai — não pelo seu poder mágico, mas porque se apoia Naquele que é o Amém. É a palavra que transforma a dúvida em confiança, o aproximado em compromisso. É a palavra que transforma uma assembleia dispersa em um único corpo que diz «sim» juntos.
E um dia, é a palavra que fará passar a multidão inumerável «de toda tribo, língua, povo e nação» (Apocalipse 7:9) para o louvor eterno. Uma única palavra, em todas as línguas, sem tradução.
Retome a sua senha
Dizemo-la sem pensar, no final das orações, após os cânticos. Mecanicamente. Como um código que se digita sem olhar.
E se, esta semana, você retomasse essa palavra? Não como fórmula de encerramento, mas como apoio. Como uma assinatura colocada não sobre a sua fidelidade frágil, mas sobre a dele, sólida.
Amém. A palavra mais simples, mais curta, mais universal — e talvez a mais profunda que você dirá hoje.
«Assim diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira.»
Apocalipse 3:14