Quando eu era criança, havia um momento nos acampamentos de verão que esperávamos mais do que qualquer outro: a busca do tesouro. Falávamos sobre isso dias antes. Observávamos o anúncio dos monitores, escolhíamos cuidadosamente nossos companheiros, esperávamos estar na equipe mais forte — a que encontraria o tesouro.
Porque no final do jogo havia realmente um tesouro. Pouca coisa, claro — um punhado de balas, talvez uma medalha de chocolate. Mas aos nossos olhos era um tesouro de verdade. E o que o tornava tão valioso era saber que íamos compartilhá-lo. Era isso que tornava tudo tão desejável: a alegria compartilhada que íamos desfrutar juntos, sentados na grama, passando o espólio de mão em mão.
O jogo começava. Nos davam um enigma. Resolva-o, e encontrará a primeira pista. Depois outro enigma, depois outro. O caminho se bifurcava. Às vezes dois atalhos se abriam diante de nós, e era preciso escolher. E ali, em certas árvores, víamos uma cruz desenhada: não é por aqui. Uma pista falsa. Um caminho que parecia promissor mas não levava a nenhum lugar.
Então parávamos. Hesitávamos. Mandávamos exploradores — os mais rápidos, os mais espertos — olhar um pouco mais adiante. Voltavam ofegantes: não, é um beco sem saída — ou então: rápido, venham por aqui! E toda a equipe saía disparada, rindo, gritando, seguros agora da direção.
Penso frequentemente naqueles verões. E digo a mim mesmo que a vida se parece estranhamente com esse jogo.
Há um tesouro no final. Há enigmas para resolver. Há caminhos que se bifurcam, e alguns estão marcados com uma cruz que diz não é por aqui. Quantos caminhos já tomei na vida achando que me levariam à felicidade, para descobrir que eram becos sem saída? Quantas vezes teria feito bem em parar, perguntar, mandar exploradores antes de me jogar de cabeça?
«Assim diz o Senhor: "Parem nos caminhos e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, qual deles é o bom caminho, e andem por ele, e encontrarão repouso para a alma de vocês."»
Jeremias 6:16 (NVI)
O profeta Jeremias não diz outra coisa. Há uma arte do caminhar cristão que começa com uma pausa. Olhar. Perguntar. Discernir. Não se precipitar pelo primeiro caminho que aparece só porque parece largo e fácil.
Mas aqui está a maravilha. Nas buscas do tesouro da nossa infância, a cruz marcava o erro: não vá por ali. No Evangelho, é o contrário. A cruz tornou-se o sinal do caminho certo. Onde os homens tentaram escrever não é por aqui, Deus escreveu é aqui. Onde víamos um beco sem saída, um fracasso, uma morte, abriu-se o caminho para o tesouro.
O mundo olha para a cruz e acha que vê um sinal de proibição. O discípulo se aproxima e descobre uma seta.
E o tesouro, no final? Também está lá, fiel à memória da infância. Não é um tesouro para guardar para si mesmo. É uma alegria que se compartilha, sentados na grama com nossos companheiros de caminho, passando de mão em mão o pão partido, o cálice, a Palavra.
«Andem por ele, e encontrarão repouso para a alma de vocês.»
Jeremias 6:16 (NVI)
Caminhem bem, irmãos e irmãs. E até logo — sob a árvore, ao redor do tesouro.